terça-feira, 7 de dezembro de 2010

PMDB e Dilma acertam nomes para ministérios

Dilma fez convite a três aliados e a sigla indicou ministro da Previdência

Aliado de humor mais instável da presidente eleita Dilma Rousseff, o PMDB começa a dar cara a sua participação no futuro governo. Nesta terça-feira, o partido fechou a indicação do senador Garibaldi Alves (RN) para comandar o Ministério da Previdência.

> Confira quem são os cotados para o Ministério da Previdência no governo Dilma Rousseff

Enquanto o PMDB indicava o senador para a pasta, três nomes do partido recebiam convites de Dilma para ocupar o primeiro escalão. Pela manhã, a eleita convidou o deputado Pedro Novais (PMDB-MA) para assumir o Ministério do Turismo e o ministro Wagner Rossi para permanecer à frente da Agricultura. Dilma convidou ainda Moreira Franco para a Secretaria de Assuntos Estratégicos, e ele aceitou a proposta.

Na cota do vice-presidente eleito, Michel Temer, Moreira Franco terá duas novas atribuições: comandar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, e elaborar um plano nacional de saneamento e resíduos sólidos. O nome de Garibaldi, ex-presidente do Senado, entraria na cota do PMDB dos senadores e foi referendado em uma reunião entre os líderes do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, e no Senado, Renan Calheiros (AL).





ZERO HORA

Fechado ‘pacote’ com os cinco ministérios do PMDB

Fechou-se o pacote de ministros do PMDB. O partido sai da negociação embrulhado. Dilma Rousseff enrolou-o como bem quis.

Entregou duas pastas ao PMDB do Senado: Minas e Energia e Previdência. Outras duas para o PMDB da Câmara: Agricultura e Turismo.

Como mimo adicional concedeu a Michel Temer a prerrogativa de indicar um ministro para a SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos):

Se não houver nenhuma reviravolta, a lista de nomes levada ao pacote é a seguinte:

1. Previdência: senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).
2. Minas e Energia: senador Edison Lobão (PMDB-MA).
3. Turismo: deputado Pedro Novais (PMDB-MA).
4. Agricultura: Wagner Rossi, atual ministro da pasta.
5. Assuntos Estratégicos: Moreira Franco.

Os senadores, que demoravam-se em digerir a Previdência, tiveram de engolir a pasta.

Os deputados, que achavam o Turismo assim, meio mixuruca, deram-se por satisfeitos.

Wellington Moreira, até a noite passada dizia que não iria para a SAE. Foi. A secretaria receberá enfeites novos.

Resumo da ópera: O PMDB “exigia” de Dilma a manutenção das pastas que amealhara sob Lula.

Perdeu o poderoso Ministério Comunicações para o PT. E o da Integração Nacional para o PSB.

Em troca dos ministérios perdidos, passou a “exigir” pastas de pe$o equivalente. Falou em Cidades e Transportes. Levou Previdência e Turismo.

Com quatro pastas, “exigiu” um quinto ministério, para Moreira Franco. Dilma cedeu a SAE, um subministério que Lula criara para abrigar Mangabeira Unger.

De resto, o PMDB queixou-se de duas “barrigas de aluguel”: Saúde e Defesa. Perdeu a primeira pasta.

Na segunda, viu-se compelido a continuar carregando no ventre um “filho” de Lula adotado por Dilma: Nelson Jobim.

No dizer de um grão-pemedebê, a legenda sai da negociação com Dilma assim:

“Antes, éramos chamados de fisiológicos. Mas, espertos, levávamos o que queríamos. Agora, continuam nos chamando de fisiológicos. Só que ganhamos fama de bobos”.

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Escrito por Josias de Souza às 17h36

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Com núcleo palaciano fechado, Dilma deve se concentrar em aliados

Indefinição sobre fatia de siglas da base na Esplanada aumentou tensão na equipe; até agora, ampla maioria dos escalados é do PT

Ricardo Galhardo, iG São Paulo | 02/12/2010 19:41

Depois de anunciar formalmente os ministros do chamado grupo palaciano (Casa Civil, Secretaria Geral da Presidência e Relações Institucionais) amanhã, a presidenta eleita, Dilma Rousseff, deve concentrar esforços na definição dos nomes indicados pelos partidos aliados e deixar o PT para a próxima etapa.
Segundo fontes ligadas á presidenta eleita, a indefinição tem aumentado o nível de tensão entre os aliados. Até agora, de todos os nomes ventilados ou confirmados oficialmente, apenas o futuro presidente do Banco Central, Alexandre Tombini (sem partido) e os peemedebistas Nelson Jobim (Defesa) e Edison Lobão (Minas e Energia) não são do PT.

Já a lista de petistas é grande. Antonio Palocci (Casa Civil), Gilberto Carvalho (Secretaria Geral), José Eduardo Cardozo (Justiça), Paulo Bernardo (Comunicação), Miriam Belchior (Planejamento), Guido Mantega (Fazenda), e Alexandre Padilha (Relações Institucionais).
Por isso, a indicação de novos petistas para o ministério deve ficar para uma próxima etapa. Entre os que ficarão na fila de espera estão o senador Aloizio Mercadante, apontado como futuro ministro da Ciência e Tecnologia, mas que até agora não recebeu sinal algum de Dilma, e Fernando Haddad, que pode permanecer no Ministério da Educação. O PT pleiteia ainda os ministérios das Cidades, Turismo, Combate à Fome e Desenvolvimento Agrário.
Desde o início da semana Dilma tem agilizado os contatos com partidos aliados. Ontem a presidenta eleita recebeu o presidente do PR, Alfredo Nascimento, para tratar da permanência do partido no Ministério dos Transportes e sugerir o nome de Blairo Maggi para a Agricultura.
O PC do B se reuniu com a equipe de transição e pediu a permanência de Orlando Silva no Ministério dos Esportes. O presidente do PSB, Eduardo Campos, também já apresentou as reivindicações do partido. Mas a prioridade é para o PMDB. Segundo fontes ligadas a Dilma, as negociações com o partido do vice, Michel Temer, acontecem em duas frentes: Câmara e Senado.
A bancada de casa uma das casas legislativas deve apresentar dois nomes. No Senado os indicados são Lobão e, provavelmente, o senador Garibaldi Alves (RN). A Câmara deve pedir a permanência de Wagner Rossi na Agricultura e indicar um segundo nome, de preferência um deputado, para a Saúde. A permanência de Jobim, defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também entra na cota do partido que pode ainda ficar com um sexto ministério.



Termômetro da Política

Conheça os políticos mais queridos e os mais criticados
 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Palocci administra primeira crise entre Dilma e PMDB

Interrogação do Painel do Paim: 

E a eleição do Vice-Presidente Michel Temer (de mão beijada, com o prestígio do Lula e da Dilma), sem os votos até de governadores do seu partido, como é o caso do italiano André Puccinelli (MS), além de quase a metade do PMDB ter apoiado Serra. Isso, não conta?

O vice tem de ser incluído no cota do PMDB, sim senhor!

Quem garante que os Parlamentares do PMDB, eleitos em coligação de governadores de outros partidos ou a governador  do PMDB anti-Lula, anti-Dilma e anti-Temer, irão apoiar o Governo, no Parlamento?

A cota de ministros para um "partido de aluguel" e não apenas "barriga de aluguel" está de bom tamanho e olhem lá!...

Chega de "criar cobras"!

Zeca do PT (MS) tinha razão.

A presidente eleita tem sim que prestigiar governadores e partidos que a apoiaram verdadeiramente e não apenas o PMDB "goela grande".

Dilma não pode ficar refém, no Congresso, de um partido e de seus integrantes fisiológicos.

Pelo preço que o governo paga pela (in)fidelidade do PMDB (o partido do "toma lá da cá", até a oposição votará com o Governo. (Edson Paim)

Este comentário foi sugerido pela leitura da seguinte matéria, que empresta o título à presente publicação, adiante repetido:

 

Palocci administra primeira crise entre Dilma e PMDB

  Lula Marques/FolhaAzedaram-se as relações do PMDB com Dilma Rousseff. A um mês da posse, o partido e a presidente eleita flertam com a primeira crise. Escolhido por Dilma para chefiar a Casa Civil, Antonio Palocci recebeu um aviso.

Pode ser resumido assim: ou Dilma aperfeiçoa o método de escolha de ministros ou fará do PMDB um partido em chamas. No centro encrenca, está o vice-presidente eleito Michel Temer. Marginalizado, ele começa a perder o controle de sua legenda.

O tempo fechou depois que Sérgio Cabral (PMDB) anunciou, no Rio, uma novidade que acertara na véspera. Num encontro noturno com Dilma, o governador fluminense emplacara como ministro da Saúde um de seus secretários: Sérgio Cortês.

Na manhã desta terça (30), Temer foi recebido por Dilma e Palocci, na Granja do Torto. Nada lhe foi dito sobre o preenchimento da Saúde. A notícia lhe chegou como ao resto dos mortais: pelo noticiário da internet.

Desmerecido no seu papel de negociador-geral das nomeações do PMDB, Temer viu-se compelido a desperdiçar sua terça-feira entre telefonemas e reuniões. Compartilhou apreensões com a caciquia de seu partido.

Ex-detentor de seis ministérios, o PMDB é espremido por Dilma em quatro pstas (Agricultura, Minas e Energia, Cidades e Previdência). Mais duas cadeiras cujos detentores não avaliza (Defesa e Saúde).

Participaram das conversas com Temer, entre outros: José Sarney, Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves e Wellington Moreira Franco. Os diálogos entraram pela noite, num jantar servido na mesa de um restaurante da Capital.

Terminado o repasto, o repórter ouviu um dos grão-pemedebês que frequentaram todas as reuniões. Ele fez um resumo das inquietações da legenda. Empilhou as frases que recolheu durante o dia. Comentários azedos.

Vão reproduzidos abaixo, sem a identificação dos autores. As aspas respeitam rigorosamente o relato feito ao blog pelo interlocutor de Temer:

1. “O PMDB inteiro colocou o Michel como depositário das negociações. De repente, vem o Sérgio Cabral, que ocupou o morro do Alemão, e acha que pode ocupar tudo”.

2. “Sem conversar com o vice-presidente, o Sérgio Cabral nomeia um ministro. Foi o primeiro ministro que teve a nomeação feita fora do grupo de transição”.

3. “O Michel e nós todos soubemos da notícia pelos blogs, na internet. O problema é mais de método do que de mérito”.

4. “A ambição do Lula é que o José Alencar desça a rampa do Planalto com ele. O PMDB quer saber se a Dilma deseja que o Temer suba a rampa com ela”.

5. “Do modo como a Dilma trata o Temer, fica claro que o papel do vice-presidente no governo dela será o de alimentar as emas do Palácio do Jaburu”.

6. “Além repetir a barriga de aluguel que o Lula impôs ao PMDB ao nomear o [José Gomes] Temporão para a Saúde, o Sérgio Cabral quer vetar o [Wellington] Moreira Franco [candidato de Temer à pasta das Cidades]”.

7. “Ora, o Michel, sendo vice, não consegue nomear um ministro. O Lula, pra agradar o Zé Alencar, criou um ministério extraordinário pro Mangabeira Unger, que tinha chamado o governo dele de o mais corrupto da história. Política é feita de gestos”.

8. “Dizem que o PMDB tem a goela larga. Temos o vice, 79 deputados, 21 senadores. E o PT vai ficar com 18 ministérios. Nós é que somos os fisiológicos?”

9. “Querem dar a Integração Nacional pro PSB do Eduardo Campos [governador de Pernambuco], tratado como o administrador do século. E ninguém nos informa: ‘Olha, vocês vão perder a Integração’.”

10. “Os jornais informam que o PMDB vai perder as Comunicações. A conversa é de que precisa moralizar os Correios. Os técnicos do PMDB não prestam. E quem garante que, com o Paulo Bernardo, o PT não vai entregar os Correios a uma Erenice Guerra?”

11. “A Dilma diz: ‘eu quero o [Nelson] Jobim na Defesa. De novo, repetição da barriga de aluguel. Tira todos os cargos do ministério do Jobim [Infraero e Anac]. E nós temos que engolir?”

12. “Pra nós, dizem que os que perderam a eleição não podem chegar ao primeiro escalão. O Fernando Pimentel, que perdeu em Minas, vira ministro. Pra eles, do PT, tudo. Pra nós nada”.

13. “O PMDB, calado, sem fazer barulho, é chamado de fisiológico nos jornais. Se é isso o que a Dilma quer, então ela que peça ao Sérgio Cabral e ao Jobim pra garantir as votações na Câmara. Eles que se fodam para arranjar os votos”.

14. “A conversa da Dilma com o Michel não foi boa. Parece que querem entubar o PMDB. O mal-estar está instalado. E começa a dividir um partido que tinha chegado à união. Se continuar assim, vai dar merda”.

15. “A Dilma está entregue ao Lula. Normal. Ninguém tá querendo que seja diferente. Ela pergunta: ‘Queriam que eu conversasse com o DEM?’ Claro que não. Mas com o PMDB não pode deixar de conversar”.

16. “O PMDB fixou as bases: queremos manter o que temos. Resta à Dilma dizer o que que deseja: ‘vem cá, o governo mudou, não dá pra ser isso. Quero a sua compreensão. Tem aqui o Jobim e o sujeito do Cabral, dá pra aceitar? Não tem a Integração e as Comnicações. Mas tem isso e aquilo outro. Concordam?”.

17. “No regime presidencialista, a participação no ministério tem um único objetivo: garantir apoio congressual. Do jeito que está, quem vai garantir, o Sérgio Cabral?”

18. “Estão desmoralizando o Temer. O Palocci foi informado das coisas. Cabe a eles decidir como querem jogar. Alguma coisa precisa acontecer. Como está, não acaba bem. O PMDB não é barriga de aluguel”.

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Escrito por Josias de Souza às 04h39

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Dilma convida Paulo Bernardo para Comunicações


IG/VS
A 15 dias do prazo que estabeleceu para a montagem do seu governo, a presidenta eleita Dilma Rousseff resolveu acelerar a escolha dos ministros do restante da Esplanada. Além de acertar com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), a nomeação de Sérgio Côrtes na Saúde, ela definiu o nome de Paulo Bernardo para as Comunicações. Nas últimas horas, também ganhou força a permanência de Fernando Haddad na Educação.
Três fontes diferentes confirmaram ao iG a transferência do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para as Comunicações. O ministério, porém, é comandado há seis anos pelo PMDB. Por isso Dilma precisa acertar com o partido como será feita a contrapartida. Os peemedebistas sonham emplacar um nome nas Cidades para compensar a perda nas Comunicações. Nesse caso, o mais cotado é Moreira Franco, dirigente nacional do PMDB.
O nome de Paulo Bernardo para as Comunicações vem sendo gestado desde a semana passada, quando ele próprio confirmou ter sido convidado por Dilma para permanecer no governo. Contudo, na oportunidade, não foi revelada qual pasta ele assumiria.
Além das Comunicações, Paulo Bernardo surgiu como opção para as Cidades. A pasta é comandada, desde 2005, pelo PP. O partido, contudo, não apoiou Dilma oficialmente durante a campanha. A presidenta eleita chegou a estudar a divisão do ministério em duas partes: o Saneamento seria mantido pelo PP e a Habitação, com o programa Minha Casa Minha Vida, ficaria com o PT.
No entanto, agora o mais provável é que a pasta das Cidades fique com o PMDB para compensar das Comunicações. O problema é que esse ministério é da cota da bancada peemedebista do Senado. Em abril deste ano, o senador Helio Costa (PMDB) resolveu deixar a pasta para concorrer ao governo de Minas Gerais. Semana passada, ele tentou articular sua volta para se cacifar para assumir a presidência de Furnas, estatal com sede em solo mineiro.
Apesar de brigar por seu espaço nas Comunicações, o PMDB do Senado quer mesmo é manter o comando do Ministério de Minas e Energia. O principal objetivo é promover o retorno do senador Edison Lobão (PMDB-MA) ao comando da pasta. Ele também havia saído do cargo para disputar a eleição em outubro. Reeleito para mais um mandato no Senado, tem o apoio de Renan Calheiros e José Sarney para voltar para a Esplanada.
Em meio às definições de espaços entre os aliados, o ministro Fernando Haddad também aparece com força para ficar na Educação. Ele se enfraqueceu por conta dos problemas da realização do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). No entanto, contou com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é até agora a pessoa que tem mais influenciado Dilma na escolha dos ministros do próximo governo.

PMDB ‘perde’ 3 pastas e aguarda por ‘contrapartidas’

Miran

Dos seis ministérios que chama de seus, o PMDB deve perder três: Comunicações, Integração Nacional e Saúde.

O primeiro, Dilma Rousseff planeja entregar ao petista Paulo Bernardo. O Segundo, ela cogita repassar ao PSB. No terceiro, deseja acomodar um “especialista”.

Numa quarta cadeira, a de ministro da Defesa, Dilma manterá, a pedido de Lula, Nelson Jobim.

Embora Jobim seja um filiado histórico do PMDB, sua renomeação não é apropriada como ativo do partido.

De concreto, por ora, o PMDB recebeu de Dilma duas sinalizações: Wagner Rossi, ligado a Michel Temer, pode ser mantido no Ministério da Agricultura.

E a pasta de Minas e Energia, na qual José Sarney almeja realocar o senador Edison Lobão, deve permanecer sob o guarda-chuva da legenda.

E quanto à “perda” de Comunicações, Integração e Saúde? O partido não obteve, por ora, garantias de que será compensado do modo que deseja.

Nos arredores de Dilma, diz-se que, fechada a contabilidade ministerial, o PMDB deve encolher. Afora Agricultura e Minas e Energia levaria mais duas pastas.

Considerando-se que a própria legenda enxerga Jobim como parte da cota pessoal de Dilma, teria quatro ministérios em vez de meia dúzia.

Restaria, assim, definir as duas cadeiras restantes. O PMDB mira no alto. Cobiça Cidades e Transportes, dois escaninhos apinhados de obras do PAC.

Tem alguma chance de emplacar Wellington Moreira Franco na pasta das Cidades. Hoje, é do PP. Uma legenda que preferiu a “neutralidade” ao apoio formal a Dilma.

A cessão dos Transportes ao PMDB, porém, indisporia Dilma com o PR, que gere o ministério sob Lula e apoiou Dilma na primeira hora, dando-lhe o tempo de TV.

Sempre barulhento, o PMDB pôs de lado, momentaneamente, o trombone. Exibe um silêncio incomum.

A legenda submete-se à articulação do vice-presidente eleito Michel Temer, a quem credenciou como comandante do exército das nomeações nacionais.

Temer cuidou de mandar ao freezer o chamado blocão, uma aliança de partidos que, urdida pelo líder Henrique Eduardo Alves, reúne 202 deputados.

A esperteza foi congelada por duas razões. Primeiro porque Dilma pediu. Segundo porque Temer e outros caciques pemedebês viram na manobra um erro.

Há no tal bloco legendas com as quais o PMDB disputa a partilha da Esplanada. Entre elas o PP das Cidades e o PR dos Transportes.

Ao empinar o blocão, Henrique Alves como que credenciou os rivais, emprestando-lhes o peso do PMDB. Daí, principalmente, a meia volta.

A despeito do silêncio, ouvem-se longe dos refletores os queixumes. Alega-se que o bom comportamento do PMDB contrasta com a sem-cerimônia do PT.

No Senado, integrantes do grupo de Sarney e do líder Renan Calheiros olham de esguelha para a migração de Paulo Bernardo.

Não parecem conformados com a pretensão de Dilma de transferir o amigo petista do Planejamento para as Comunicações, um feudo do PMDB do Senado.

Dali saiu o senador Hélio Costa, candidato derrotado do PMDB ao governo de Minas.

Junto com a pasta vai ao controle do PT a engrenagem dos Correios. Para Dilma, um ninho de problemas. Para o PMDB, um celeiro de cargos e negócios.

Não é só: a turma de Sarney e Renan fareja uma marcha petista em direção a cadeiras do sempre cobiçado sistema Eletrobras.

Há mais: o PMDB da Câmara inquieta-se com outros dois movimentos do PT.

Num, enxerga-se o interesse em retirar da diretoria Internacional da Petrabras Jorge Zelada, um apadrinhado da bancada de deputados do PMDB.

Noutro, vislumbra-se um ataque petista a Furnas, estatal na qual o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) manda e, sobretudo, desmanda.

Entre todos os congressistas do PMDB, Cunha talvez seja o mais afeito ao barulho. Quando contrariado, costuma causar problemas.

O PMDB espera receber até o final de semana indicações mais precisas quanto à forma como Dilma pretende tratar o partido.

Para saber se o PMDB considera-se atendido à altura, basta observar o trombone. Se começar a tocar...

- Em tempo: Ilustração via Miran Cartum.
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Escrito por Josias de Souza às 04h12

domingo, 28 de novembro de 2010

PMDB não consegue fechar a lista de ‘ministeriáveis’


O apetite do PMDB por ministérios contrasta com a inanição da lista de ministeriáveis que a legenda submeterá à apreciação de Dilma Rousseff.

A poucos dias do início formal das negociações, o partido do vice-presidente eleito Michel Temer ainda não conseguiu fechar uma relação de nomes.

O PMDB ocupa, hoje, seis ministérios: Integração Nacional, Comunicações, Minas e Energia, Agricultura, Saúde e Defesa.

Sob Dilma, admite trocar de pastas. Mas reivindica: A) a manutenção da quantidade; e B) a garantia de compensações que levem em conta a qualidade dos postos.

Por exemplo: ante da perspectiva de perder a Integração Nacional e a Saúde, o PMDB mira em Cidades e Transportes, duas jóias da Esplanada.

Pois bem. Por ora, o PMDB dispõe apenas de três nomes. Um deles enfrenta a resistência do governador Sérgio Cabral, do Rio. Eis a lista:

1. Wellington Moreira Franco: ex-governador do Rio, ele tem ligações umbilical com o grupo de Temer. Deixou a diretoria da Caixa Econômica para representar o PMDB no comitê de Dilma.

A legenda considera-o apto a ocupar qualquer ministério. Dá-se preferência à pasta das Cidades, hoje gerida pelo PP. O problema é que Sérgio Cabral torce o nariz para Moreira.

Um dos governadores mais chegados a Lula, Cabral quer empurrar um carioca para dentro do ministério de Dilma. Mas não digeriu Moreira.

2. Wagner Rossi: paulista, é apadrinhado de Temer. Foi guindado por Lula à cadeira de ministro da Agricultura. O partido quer mantê-lo no cargo.

2. Edson Lobão: senador pelo Maranhão, é índio da etnia do morubixaba José Sarney, que ergue o tacape para devolver Lobão ao ministério de Minas e Energia. Chefiou-o até o final de março, quando saiu para disputar a reeleição.

Afora essa trinca de nomes, o PMDB não chegou a um consenso quanto ao resto da lista. Gira como parafuso espanado em torno de alternativas obscuras.

O partido concentra suas buscas na bancada de deputados. Por enquanto, o nome menos vexatório do rol de cogitações é o de Pedro Novais (PMDB-MA).

Advogado, Novais exibe uma atuação parlamentar discreta. Mas carrega na biografia o “título” de relator da Lei de Responsabilidade Fiscal, aprovada na era FHC.

De resto, o PMDB flerta com a idéia de incluir saias em sua lista. Uma forma de associar-se à pretensão de Dilma de entregar 30% da Epalanada a mulheres.

O diabo é que, ao submeter a bancada a um filtro de gênero, o PMDB chegou a um par de nomes que não despertam entusiasmo nem no partido.

Um deles é o da deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), professora, radialista, jornalista e agrimensora.

O outro é o da deputada Marinha Raupp (PMDB-RO). É psicóloga, professora e mulher do senador Valdir Raupp, encrencado em duas ações no STF.

Dilma informou a Temer que a temporada de negociação com os partidos começaria nos primeiros dias de dezembro. Ou seja, a partir desta quarta (1º).

Antes, será formalizada a equipe de ministros do Planalto. Entre eles o novo chefe da Casa Civil, o petista Antonio Palocci, que assume a negociação com os “aliados”.

Para começo de conversa, o PMDB espera que Palocci lhe informe os ministérios de sua cota. Não abre mão de escolher os ministros.

Alega que levará à mesa nomes que atendem às três condições impostas por Dilma: respaldo partidário, capacidade técnica e biografia limpa.

Decidiu que não incluirá em sua lista o pemedebê Nelson Jobim, que Lula aconselhou a Dilma manter à frente da pasta da Defesa.

Deliberou também que não vai opor resistências à eventual manutenção. Apenas deixará claro que Jobim não responde pelos votos da legenda no Congresso.

Com isso, a cota do PMDB deve cair de seis para cinco pastas. Algo que pode atenuar o vexame da escassez de nomes.

O PMDB definiu também que, com Dilma, não aceitará os arranjos que Lula lhe empurrou goela abaixo.

Como exemplo, menciona-se o caso do ministro José Gomes Temporão (Saúde). Foi escolhido por Lula à revelia do partido.

Para salvar as aparências, o presidente providenciou o endosso de Sérgio Cabral a Temporão. E plantou-o na Saúde como parte da cota do PMDB.

Excluído da nova lista do partido, Temporão é, hoje, um escalpo à espera da lâmina. Dilma sinalizou a Temer que levará à cadeira um nome de sua escolha.

Diferentemente do caso da Defesa, a supressão da Saúde não será deglutida sem compensação.

O PMDB considera que, entregando-lhe uma pasta como a das Cidades, Dilma zera o jogo. A negociação começa sob atmosfera amistosa.

Tida como avessa às negociações que passam pelos baixios da política, Dilma vem dispensando a Temer um tratamento que encanta o PMDB.

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Escrito por Josias de Souza às 04h06