quarta-feira, 23 de novembro de 2016

‘Tenho medo de morrer na própria aldeia’: como ‘cacique-modelo’ da Amazônia se tornou alvo de índios madeireiros

Enquanto percorria um trecho de terra na garupa da moto pilotada pelo filho Pilatos, de 25 anos, ambos perceberam que eram seguidos por um carro com três pessoas.
O veículo ultrapassou e bloqueou a moto. Um homem desceu. Com o dedo no rosto de Agamenon, avisou que ele e o irmão deveriam "tomar mais cuidado".
O irmão em questão é Almir Narayamoga Suruí, de 42 anos, chefe dos paiter-suruís e um dos principais líderes indígenas do Brasil.
O episódio na estrada é sinal do agravamento dos conflitos na TI (Terra Indígena) Sete de Setembro, localizada entre Rondônia e Mato Grosso e que nos últimos anos foi considerada a grande promessa de uso da tecnologia para proteger a floresta na Amazônia.
"Tenho medo de morrer. É um risco que corro a todo o momento. As pessoas acham que me matando vão poder explorar madeira numa boa. Sou alvo não só pelos madeireiros e garimpeiros, mas também pelos índios madeireiros", afirmou Almir à BBC Brasil.
Ele é um dos chefes indígenas mais viajados do país - já rodou por países distantes como Turquia e Indonésia, acumulou prêmios e distinções enquanto faz lobby por parcerias internacionais para preservar os recursos naturais na reserva dos paiter-suruís.
Image captionAlmir em ato contrta barragens na Amazônia em Paris em 2011 e em encontro com príncipe Charles da Inglaterra em 2009 no Reino Unido: chefe se tornou referência internacional em projetos de desenvolvimento sustentável na Amazônia
Nesse trabalho, costurou acordos com grandes empresas daqui e de fora, ONGs ambientalistas e políticos em Brasília.
Ganhou fama em 2008, quando fez um acordo com o Google para monitorar o desmate na terra indígena - índios ganharam celulares para registrar extração ilegal de madeira, capturar fotos e vídeos geolocalizados e fazer upload no Google Earth.
Em 2012, os paiter-suruís se tornaram a primeira nação indígena do mundo a fechar contratos nos quais eles faturam ao evitar desmatamentos em seu território - houve acordos com Natura e Fifa, que renderam ao menos R$ 1,2 milhão.
Nos últimos anos, contudo, discordâncias sobre o uso dos recursos reacenderam divisões históricas entre os suruís e situação saiu de controle na Sete de Setembro - uma área de 2,4 mil km² (ou duas vezes a cidade do Rio de Janeiro) e 1,3 mil índios espalhados por 25 aldeias.
O desmate ilegal dentro da TI Sete de Setembro saltou de 85 hectares em 2013 para 496 hectares (cerca de 500 campos de futebol) em 2015, segundo a ONG Idesam (Instituto de Conservação e de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia).

Descontrole

A terra dos suruís (ou paiter, como se intitulam) fica em um dos principais focos do chamado "arco do desmatamento", região em que a fronteira agrícola avança em direção à floresta e responde pelos maiores índices de desmatamento da Amazônia.
Segundo Almir, hoje 15 das 25 aldeias da terra indígena estão envolvidas em exploração ilegal de recursos naturais. Cinco se opõem à presença de madeireiros e cinco estão divididas, afirma.
Image captionGarimpo (à esq.) e extração de madeira ilegais na reserva dos suruís; para Procuradoria, há risco de "descaracterização total" da área
"A floresta não precisa ser intocável, mas deve ser usada com planejamento e critério. Somos contra a forma como a madeira está sendo retirada", diz o líder dos paiter-suruís.
Índios contrários ao desmatamento estimam que 300 caminhões lotados com toras de madeira deixem a Sete de Setembro todos os meses - avaliação endossada pelo Ministério Público Federal, que acompanha o conflito na região.
As árvores mais procuradas hoje são cerejeira, cedro, ipê, caixeta, garapa e castanheira. O ipê é considerado o novo mogno, muito explorado nas décadas de 1980 e 1990 e hoje praticamente extinto na floresta.
"A situação é frágil e delicada. Madeireiros assediam índios com coisas que o Estado não consegue suprir, como saúde e educação, e com outras que o Estado nem supriria, como dinheiro para carros e motos. Algumas lideranças se acostumaram com essa renda, o que torna o problema histórico", afirma o procurador da República Henrique Heck.

Histórico

De fato, a relação dos suruís com a exploração ilegal de madeira não é nova.
Contatada pela primeira vez em 1969, essa tribo amazônica chegou a perder 90% da população para a tuberculose e o sarampo antes mesmo do nascimento de Almir, em 1974.
A terra indígena foi homologada em 1983, mas sofreu impacto, nos anos seguintes, de projetos de colonização e também invasões de pequenos agricultores.
Os suruís passaram então a ser conhecidos pela venda de madeira a extratores ilegais - situação que motivou divisões internas e desagregação social.
Image captionAlmir com conterrâneos suruís; até 1969, povo ainda vestia tangas, caçava com arco e flecha e conhecia pouco do Brasil moderno
Aos 15 anos, ainda com pouco conhecimento de português, Almir aceitou convite da Universidade Católica de Goiás para estudar Biologia Aplicada. Formou-se em 1992 e foi eleito chefe dos Gameb (marimbondos pretos), um dos quatro clãs paiter-suruís.
Casou-se, teve filhos (três, hoje com 22, 21 e 19 anos) e passou a planejar programas de agricultura sustentável em sua aldeia.
"Mas líderes tribais mais velhos - a maioria com menos de 40 anos, como efeito das pragas devastadoras dos anos 1970 - tinham outros planos", afirma, em referência aos interesses dos índios madeireiros, o jornalista americano Steve Zwick, que trabalha em uma biografia de Almir.
Ao final dos anos 1990 Almir Suruí já era um líder indígena conhecido em Rondônia. Gradativamente, começou a trabalhar em um plano para uso das terras suruís nos 50 anos seguintes.

Acordo

O acordo com o Google trouxe novas perspectivas para a tribo, e em 2009 Almir costurou um pacto entre os quatro clãs para encerrar o histórico ciclo histórico de exploração ilegal de madeira dentro do território.
Em 2012, a redução acumulada de desmatamento somava 511 hectares, o que permitiu as parcerias de venda de créditos de carbono.
Image captionAlmir Suruí em encontro em 2012 com Rebeca Moore, então gerente do Google Earth; parcerias internacionais não conseguiram evitar agravamento da situação em reserva
Foi o primeiro projeto em área indígena a explorar o chamado Redd (Redução de Emissões por Desmatamento), instrumento de compensação financeira pela manutenção de florestas tropicais e redução do gás carbônico responsável pelo aquecimento global.
A promessa de solução, contudo, começou a incentivar velhas (e novas) divisões. Alguns líderes suruís reclamaram da gestão, por Almir, do chamado Fundo Paiter, criado para administrar o dinheiro desses projetos. Apontavam demora na liberação, centralização de decisões e ausência de benefícios para as comunidades.
O chefe suruí nega as acusações. "O dinheiro foi repassado corretamente para as associações (dos clãs suruís) de acordo com os projetos, conforme foram apresentados para nós. Nossa prestação de contas é clara e transparente", afirma.
Em julho deste ano, a pedido do Ministério Público Federal, que atendeu a reclamações dos setores insatisfeitos, a Justiça chegou a bloquear a movimentação do fundo (que ainda tinha R$ 500 mil em caixa). Os recursos acabaram liberados após uma reunião entre os clãs.

Agravamento

A indisposição com o projeto levou parte dos suruís a retomar a exploração ilegal de madeira, ouro e diamante, bem como o arrendamento de terras para fazendeiros.
Segundo relatos coletados pela reportagem, índios madeireiros esperavam obter mais renda ao interromper o ciclo de desmatamento, o que não ocorreu.
Image captionNos pontos vermelhos em destaque, avanço do desmatamento na TI Sete de Setembro; 300 caminhões de madeira deixam área todos os meses, dizem índios
Resultado, segundo Almir: além de madeireiros e fazendeiros, há também garimpo na terra indígena. Com apoio dos índios, aliciados com armas e pagamentos mensais de até R$ 5 mil, os grupos estariam atuando em ao menos 20 pontos da área.
A suposta omissão dos órgãos públicos agrava a situação, afirma o líder. "Já fizemos várias denúncias e nada acontece. Dizem que não podem prender índio e os índios sabem disso."
Em razão desse quadro, a Procuradoria entrou na Justiça na semana passada contra Funai (Fundação Nacional do Índio), Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e os Estados de Rondônia e Mato Grosso.
A ação pede que os órgãos e governos sejam obrigados a realizar uma série de ações de fiscalização e apoio a atividades sustentáveis pelos índios, como coleta de castanhas.
Diz ainda que a "criminalidade recrudesceu" dentro da terra indígena em razão da "fiscalização acanhada dos órgãos públicos".
Aponta que "muitos indígenas foram cooptados pelas madeireiras" e que a "sensação de impunidade prepondera" no local, o que faz aumentar a adesão de índios à atividade ilegal.
"Se a situação continuar assim, há possibilidade de descaracterização total do território em médio prazo", afirma Henrique Heck.
A reportagem entrou em contato com os governos de Rondônia e Mato Grosso para comentários sobre a ação da Procuradoria, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
Em nota, a Funai disse ter conhecimento do cenário na Sete de Setembro e que tem feito fiscalizações na região. Reconheceu, contudo, que o "grande desafio" hoje é integrar esferas de poder e complementar monitoramento com políticas de sustentabilidade para índios e cidades do entorno.
"Sem alternativas de renda no entorno para as populações não indígenas, a pressão sobre as terras indígenas cresce cada vez mais, ameaçando os recursos naturais e a segurança dessas comunidades", informou o órgão.
Image captionLíder indígena se diz sitiado em sua própria região: 'Se é explorar madeira o que o meu povo quer, tudo bem.'

Medo

Enquanto isso, hoje o "cacique tecnológico" Almir Suruí está praticamente sitiado em sua própria região - mora com a família em Cacoal, cidade de 78 mil habitantes a 480 km de Porto Velho, vizinha da terra indígena Sete de Setembro.
Vive escoltado pelos irmãos, nunca viaja sozinho e evita ir ao supermercado ou sacar dinheiro sem estar acompanhado.
"Não gostamos que o Almir vá a nenhum lugar sozinho, nem dentro da nossa própria terra, porque há uma parte grande do nosso povo contra o trabalho dele. A gente também vive com medo de branco matar o Almir. Branco madeireiro, fazendeiro, garimpeiro. É muita preocupação", diz o irmão Mopiri Suruí, de 56 anos.
Almir chegou a contar com proteção de agentes da Força Nacional de Segurança entre 2012 e 2013, mas desistiu. "Era uma proteção e não uma solução. A solução é acabar com a exploração ilegal."
Com 98 quilos distribuídos em 1,68 m, fã de Raul Seixas e tubaína, torcedor do Flamengo, apreciador de camionetes e membro de 23 grupos do WhatsApp, ele diz ter desenvolvido gastrite ao conviver com ameaças de morte.
E às vezes ameaça desistir de tudo e se dedicar somente à família. "Se é explorar madeira o que o meu povo quer, tudo bem."
Por força da deterioração da situação na terra indígena que um dia foi modelo de recuperação sustentável, organizações internacionais articulam uma campanha, com abaixo-assinado e pedido de doações online, em que alertam para uma "situação de emergência" na terra dos paiter-suruís.
"Minha maior preocupação é que assassinem o meu filho. É muito difícil para mim como mãe. Ele vem trabalhando, defendendo a floresta para trabalhar de forma sustentável, mas nosso próprio povo prefere o dinheiro fácil da madeira e do garimpo. Meu medo é porque sei que há pessoas contra ele e o trabalho dele. Só Deus para me aliviar. Só Deus", diz Weytanb, 88 anos, mãe de Almir.
Image caption"Minha maior preocupação é que assassinem o meu filho", afirma Weytanb Suruí, de 88 anos

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Justiça suspende revogação de Unidades de Conservação em Rondônia


Em 2014, a Assembleia Legislativa de Rondônia anulou o decreto de criação de quatro unidades de conservação do estado. Essa história, que ajuda a explicar porque o estado é um dos mais desmatados da Amazônia brasileira teve um novo capítulo na semana passada, quando o Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia (TJ-RO) julgou inconstitucional a ação feita pelos deputados estaduais e suspendeu a  revogação das áreas protegidas. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) foi ajuizada pelo Ministério Público Estadual (MPE).
Após dois anos no limbo jurídico, a Reserva Extrativista Jaci-Paraná, a Área de Proteção Ambiental Rio Madeira e as Florestas Estaduais de Rendimento Sustentado do Rio Madeira B e do Rio Vermelho voltam a ficar protegidas. Essas quatro unidades representam 11% da área das Unidades de Conservação de uso sustentável do Estado de Rondônia e juntas somam aproximadamente 259 mil hectares.
Relembre o caso
O ato da Assembleia Legislativa, que teve forte oposição das populações tradicionais, ocorreu com o objetivo de legalizar as invasões de madeireiros, pecuaristas e agricultores nas áreas destinadas às populações tradicionais.
Na ocasião da revogação do decreto de criação da Resex Jaci-Paraná, por exemplo, o projeto de Decreto Legislativo que extinguiu a unidade começou a tramitar após a Justiça determinar a retirada dos invasores desta Resex. O decreto foi aprovado por 15 dos 16 deputados presentes na sessão marcada por discursos em defesa dos invasores. O deputado Ribamar Araújo (PT) chegou a afirmar que o único modelo de desenvolvimento que deu certo na prática em Rondônia foi a floresta dando lugar a agricultura e pecuária. “Foi esse sistema que elevou o estado nestes 34 anos que convivo aqui”, afirmou. “Não importa se são pequenos ou grandes agricultores, o que importa é que são trabalhadores que ajudaram e ainda ajudam no crescimento de Rondônia”.
O Grupo de Trabalho Amazônico – formada por mais de 600 entidades representativas de agricultores, seringueiros, indígenas, quilombolas, entidades ambientalistas e de direitos humanos –, soltou nota repudiando a decisão da Assembleia Legislativa e dando apoio aos seringueiros prejudicados, pois a reserva foi criada para que eles tivessem onde produzir: “A posse das terras, via de regra, se dá com a invasão em grande número de pessoas que destroem a floresta, vendem as madeiras, semeiam o capim e ficam de fora, incendiando anualmente a área. De um a dois anos, é possível transformar uma vasta região de floresta em fazendas pecuárias, e eles apostam na lógica do fato consumado, onde, destruir floresta é aceito como “benfeitoria”. É difícil responsabilizar os autores, uma vez que os grandes em geral agem com prepostos e mesmo os pequenos nos primeiros anos entram esporadicamente na reserva e em geral impera a “lei do silêncio”, sendo corrente o jargão mafioso “quem dedurar morre”.
OECO
Postado por: Ygor I. Mendes


segunda-feira, 9 de maio de 2016

Guia de Transporte Animal será eletrônica em Rondônia, diz Idaron

Lançamento de nova ferramenta será realizado no 5° Rondônia Rural Show.
GTA será para bovinos que irão para o abate, segundo agência do estado.




A Guia de Transporte Rural (GTA)  poderá ser emitida eletronicamente em Rondônia, a partir dos dia 25 a 28 de maio. De acordo com  Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril de Rondônia (Idaron), atualmente os produtores precisam se encaminhar até a instituição para solicitar a emissão do documento.
Segundo a Idaron, o lançamento da nova ferramenta será realizada durante o 5° Rondônia Rural Show nos dias 25 a 28 de maio em Ji-Paraná. O pecuarista poderá emitir sua GTA através da Internet, porém somente para bovinos que serão destinados ao abate com inspeção oficial nos frigoríficos locais.
Conforme o Idaron, até o fim deste ano  todo os pecuaristas do Estado, poderão emitir a Guia de Transporte Animal de forma eletrônica, sem sair de sua casa ou propriedade, e com toda segurança, bastando para isso ter acesso à internet. Segundo a agência, essa  ferramenta oferece toda segurança e controle, tanto para o produtor quanto para o governo, no processo de fiscalização, mas não elimina as vistorias e fiscalizações diretas nas propriedades, inclusive para conferir informações ou para o repasse de orientações.

Já a emissão da GTA para o transporte convencional  venda, transferência de propriedade ou de pastagem continuará sendo realizada normalmente. Ou seja,  o produtor rural terá de ir à agência de solicitar a emissão do documento, tendo em vista que a guia é documento obrigatório para o transporte ou deslocamento de animais vivos para fora propriedade, constituindo-se assim um facilitador no processo de comercialização.
Com a GTA eletrônica o pecuarista terá maior facilidade para emitir e quitar a documentação na Idaron, e também mais facilidade para comercialização do gado. A autenticidade da guia será por meio de verificação com telefone celular equipado com aplicativo de leitor ótico, que está em processo de ajustes e testes.
G1GLOBO
Postado por: Ygor I. Mendes

sábado, 7 de maio de 2016

Vídeo de boiada 'gigante' andando em avenida de RO viraliza na internet

Imagens foram feitas por morador de Alto Alegre dos Parecis.

Segundo Idaron, rebanho era composto por mil cabeças de bois.

O vídeo de uma boiada "gigante" andando pela principal avenida de Alto Alegre dos Parecis (RO) está chamando a atenção de internautas nas redes sociais. Gravadas por um morador no último domingo (1°), as imagens mostram vários peões a cavalo tocando mil bois tranquilamente. Em alguns trechos da gravação, os animais sobem em cima de calçadas e chegam a desviar de um caminhão estacionado na via. Até esta sexta-feira (6), mais de 55 mil pessoas já haviam assistido ao vídeo (veja acima).
De acordo com Dalvino Rodrigues de Azevedo, que gravou o vídeo da sacada de casa, a boiada passou pela Avenida Tancredo Neves no último domingo. "Foi bem cedinho. Eu ainda estava dormindo quando ouvi os estalos do chicote e sai para ver", relembra.
Ao G1, o morador de 52 anos disse que esta não foi a primeira vez que uma boiada passa pela avenida. "Uma vez passou cerca de 2 mil cabeças. Deve ser a maior que já vi aqui. Uma vez a boiada estourou e os peões precisaram sair correndo com o cavalo para arrebanhar de novo. É sempre lindo ver essa tradição no interior do estado", conta.
Boiada era composta por mil cabeças, segundo o Idaron de Alto Alegre (Foto: Reprodução)Boiada era composta por mil cabeças, segundo o Idaron de Alto Alegre (Foto: Reprodução)
Dalvino diz que a boiada costuma passar pela cidade sempre de madrugada ou já no amanhecer do dia, quando não tem ninguém andando na rua. "A prática é comum e linda de se ver", afirma. O morador diz que não esperava tanta repercussão nas redes sociais após a postagem do vídeo. "Fiquei bastante surpreso", ressalta.
Repercussão
Depois que o vídeo foi postado, várias pessoas compartilharam e comentaram a gravação no Facebook. Um usuário brincou com a situação e chamou a cena de um "engarrafamento de churrasco". O trabalho dos peões também arrancou elogios dos usuários: "Eita boiada bonita", disse um homem no comentário do vídeo. "Lindo de mais amei", disse outra internauta.
Boiada era composta por mil cabeças, segundo o Idaron de Alto Alegre (Foto: Facebook/ Reprodução)Boiada era composta por mil cabeças, segundo o Idaron de Alto Alegre (Foto: Facebook/ Reprodução)
Até esta sexta-feira, mais de 55 mil pessoas já haviam assistido o vídeo gravado por Dalvino.
Autorizado
De acordo com a Agência de Defesa Sanitária Agrossilvipastoril do Estado de Rondônia (Idaron), este tipo de transporte terrestre de animais é permitido. "Para fazer isso, o produtor precisa apresentar o Guia de Trânsito Animal (GTA)", explica Alexandre Marques de Lima, chefe da unidade em Alto Alegre dos Parecis.
Ainda segundo Alexandre, a Idaron também cobra exames negativos para mormo e anemia dos animais. “Sempre que vão passar pela cidade nós os abordamos para verificar essa documentação. Aqui é comum esse tipo de boiada, pois é uma rota boiadeira”, declara.
A boiada filmada em Alto Alegre dos Parecis é composta de mil cabeças. Os animais saíram de uma fazenda do município no dia 1° de maio e o destino final é uma propriedade do distrito de Novo Plano, em Chupinguaia (RO), no Cone Sul de Rondônia. Os bois devem viajar cerca de 150 quilômetros e o trajeto pode durar semanas.
Assista ao vídeo acessando este link :http://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2016/05/video-de-boiada-gigante-andando-em-avenida-de-ro-viraliza-na-internet.html
G1GLOBO
Postado por: Ygor I. Mendes

domingo, 1 de novembro de 2015

Mosaico da Amazônia Meridional facilitará gestão de áreas protegidas

05 Setembro 2011  |  
 
Área abrange unidades de conservação nos estados de Amazonas, Mato Grosso e Rondônia, correspondendo ao território da Irlanda. Decisões serão avalizadas por conselho, que terá representantes de governos, movimento social e populações tradicionais.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, assinou, dia 25 de agosto, portaria que reconhece o Mosaico da Amazônia Meridional. A área é composta por 40 unidades de conservação contíguas nos estados de Rondônia, Mato Grosso e Amazonas (ver mapa), que abrange um território de 7 milhões de hectares, similar ao tamanho da Irlanda. Funcionará como ferramenta para consolidar a gestão das áreas protegidas, buscando melhorar a conservação de ecossistemas e da biodiversidade e a condição de vida das populações locais.

Para Mauro Armelin, coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil, o mosaico institui um modelo de gestão baseado em uma visão mais ampla e sistêmica de toda a região. “Trata-se de um instrumento com grande potencial para otimizar recursos e criar processos compartilhados de tomada de decisão, com objetivo de gerenciar toda uma paisagem de maneira integrada” resume.

Um importante aspecto que contribuirá para uma administração participativa do mosaico será a instituição de um conselho consultivo, composto por gestores de unidades de conservação da área e representantes dos governos estaduais, de organizações não-governamentais do segmento socioambiental, do movimento social local, de empresários que atuam na área e de povos indígenas da região. O conselho vai propor diretrizes sobre usos da terra, acesso, fiscalização, monitoramento de planos de manejo, pesquisa científica e emprego de recursos destinados às UCs do mosaico.

O WWF-Brasil apoiou diretamente os estudos que subsidiaram a criação do mosaico, além de ter organizado reuniões e oficinas nas comunidades da região. Além disso, promoveu um evento na Conferência das Partes da sobre Diversidade Biológica (COP-10), realizada em outubro de 2010 no Japão, com objetivo de divulgar a importância socioambiental da área e angariar apoio para a iniciativa.

As seguintes áreas protegidas fazem parte do Mosaico da Amazônia Meridional: Floresta Nacional de Jatuarana, Parque Estadual do Sucunduri, Parque Estadual do Guariba, Reserva de DesenvolvimentoSustentável Bararati, Reserva de Desenvolvimento Sustentável Aripuanã, Reserva Extrativista do Guariba, Floresta Estadual de Manicoré, Floresta Estadual de Aripuanã, Floresta Estadual de Sucunduri e Floresta Estadual de Apuí, no Amazonas; Reserva Biológica do Jaru, Parque Estadual Igarapés do Juruena, Parque Estadual Tucumã, Reserva Ecológica de Apiacás, Estação Ecológica do Rio Madeirinha, Estação Ecológica do Rio Roosevelt e Reserva Extrativista Guariba-Roosevel, em Rondônia; Reserva Extrativista Roxinho, Reserva Extrativista Seringueiras, Reserva Extrativista Garrote, Reserva Extrativista Mogno, Reserva Extrativista Piquiá, Angelim, Reserva Extrativista Itaúba, Reserva Extrativista Ipê, Reserva Extrativista Jatobá, Reserva Extrativista Massaranduba, Reserva Extrativista Maracatiara, Reserva Extrativista Sucupira, Reserva Extrativista Castanheira, Reserva Extrativista Aquariquara, Reserva Extrativista Freijó, Reserva Extrativista Rio Preto-Jacundá, Floresta Estadual de Rendimento Sustentado Cedro, Floresta Estadual de Rendimento Sustentado Mutum, Floresta Estadual de Rendimento Sustentado Gavião, Floresta Estadual de Redimento Sustentado Araras e Floresta Estadual de Rendimentos Sustentado Tucano, em Rondônia, além de Parque Nacional do Juruena (MT e AM) e Parque Nacional dos Campos Amazônicos (RO, AM e MT).

A portaria 332, que reconhece o Mosaico da Amazônia Meridional, foi publicada no Diário Oficial da União no dia 26 de agosto de 2011.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

MMA fortalece parcerias na Amazônia Legal

Arte/Leandro Vieira

Encontros com os nove Estados da região buscam estabelecer estratégias de fortalecimento do Zoneamento Ecológico-Econômico
Por: Rafaela Ribeiro – Editor: Marco Moreira
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentam, nesta terça-feira (07/07) em Palmas, Tocantins, e quarta-feira (08/07), em São Luís, Maranhão, os resultados do Projeto Uniformização do Zoneamento Ecológico-Econômico da Amazônia Legal (UZEE).

As apresentações encerram um ciclo de seminários nos nove Estados da Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), com o objetivo de estabelecer estratégias conjuntas de fortalecimento do zoneamento ecológico-econômico (ZEE) na região. Os encontros reúnem gestores públicos, técnicos e demais interessados no tema.
 INTEGRAÇÃO
A iniciativa faz parte do projeto Uniformização do Zoneamento Ecológico-Econômico da Amazônia Legal e integração com o Zoneamento Agroecológico da Região, apoiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A iniciativa é executada a partir da larga experiência do Ministério do Meio Ambiente e do Consórcio ZEE Brasil. O estudo conta com uma equipe formada por pesquisadores de diversas instituições presentes na região amazônica, em permanente diálogo com os estados.
Como a produção de energia renovável e sustentável é um desafio global, o UZEE Amazônia Legal está indicando as espécies agroenergéticas mais adaptadas à região e as áreas aptas para o cultivo. Entre as espécies florestais identificadas está o tachi-branco, cujo sistema de produção já foi desenvolvido pela Embrapa. A intenção não é restringir as potencialidades nem impor outras atividades produtivas, mas sim racionalizar o uso do território e organizá-lo em torno de premissas ambientais, econômicas e sociais que respeitem e valorizem a vocação da região.
 RESULTADOS
De acordo com o gerente do Departamento de Zoneamento Territorial do MMA, Bruno Abe Saber Miguel, entre os resultados do projeto estão: a disponibilização da base de informações sobre os ZEEs da região por meio do Sistema Interativo de Análise Geoespacial da Amazônia Legal; a compatibilização das diretrizes de uso e ocupação elaboradas a partir das diversas iniciativas de Zoneamento Ecológico-Econômico, em uma perspectiva macrorregional; e a capacitação das instituições financeiras e dos atores locais em gestão territorial a partir dos diferentes produtos gerados pelo zoneamento.
Além disso, destaca que a iniciativa tem contribuído, consideravelmente, para estreitar a relação de cooperação do MMA com os nove Estados amazônicos, proporcionando a contratação de profissionais para apoiar os órgãos estaduais responsáveis pelo ZEE e a presença constante da equipe do ministério nas atividades que integram a região.
“Enquanto alguns Estados, como Acre e Pará, já concluíram a elaboração de seus zoneamentos e têm avançado na implantação do instrumento, outros, como Roraima e Tocantins, ainda estão formulando seus ZEEs”, afirmou Miguel. “O projeto tem proporcionado um grande apoio, de acordo com a situação de cada Estado.”
Busca-se, também, a articulação do ZEE com os zoneamentos agroecológicos de culturas nativas favoráveis à produção de bioenergia, identificando-se, naquelas aquelas áreas já desmatadas (estimadas em cerca de 700.000 km2), os locais com aptidão para seu cultivo. “Com os impactos previstos do aquecimento global na configuração da produção agrícola nacional, essa iniciativa reveste-se da maior importância para orientar o crescimento sustentável da produção de bioenergia com a conservação dos serviços ambientais e dos recursos naturais. Além de contribuir para a própria política de restauração e reflorestamento anunciada recentemente pela presidenta Dilma Rousseff”, destacou Saber.
 SAIBA MAIS
O zoneamento ecológico-econômico é um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente e busca orientar os programas, planos e políticas voltados ao uso e ocupação do território de acordo com suas fragilidades e potencialidades. Para tanto, parte do diagnóstico dos meios físico, socioeconômico e jurídico-institucional e do estabelecimento de cenários exploratórios para a proposição de diretrizes legais e programáticas para cada unidade territorial identificada.
De acordo com o novo Código Florestal (lei federal 12.651/2012), todas as unidades da federação precisam elaborar e aprovar seus ZEEs até maio de 2017, de acordo com a metodologia proposta pelo Governo Federal.

Asssessoria de Comunicação Social (Ascom/MMA) - (61) 2028.1165

Links:
Saiba mais sobre o zoneamento nos Estados
Conheça o que é zoneamento territorial

sábado, 21 de março de 2015

Desmatamento na Amazônia cresce 215% em um ano, segundo o Imazon

Área desmatada é maior que a cidade de São Paulo, revela instituto de pesquisa

 

Em um ano, o desmatamento na Amazônia aumentou mais de 200%.

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O instituto de pesquisa Imazon, em Belém, monitora o  
desmatamento na Amazônia há mais de 20 anos. No levantamento divulgado esta semana,foram derrubados 1.700 quilômetros quadrados de floresta nativa, entre agosto de 2014 e fevereiro deste ano. A área desmatada é maior que a cidade de São Paulo.
Comparando essa derrubada com o período anterior, o desmatamento na Amazônia aumentou 215%.

"A perspectiva é se continuar nessa tendência de aumento do desmatamento, a gente ainda vai detectar um crescimento nas estatísticas do desmatamento nos próximos meses", diz Marcelo Justino, pesquisador do Imazon.

Segundo o Imazon, quase a metade do desmatamento ocorreu em áreas particulares, onde a floresta veio abaixo para a expansão da pecuária, principalmente no Mato Grosso. No Pará, o desmatamento foi provocado em grande parte pela grilagem, que é a invasão de terras públicas. Já em Rondônia, segundo os ambientalistas, as árvores vêm sendo destruídas para dar lugar à agricultura.

Do total desmatado nos últimos sete meses, o estado que mais destruiu a floresta foi Mato Grosso (35%), depois Pará (25%) e Rondônia (20%).

Os analistas também fazem outro alerta: como os satélites do Imazon só detectam o desmatamento em áreas acima de dez hectares, os números da derrubada da floresta podem ser ainda mais altos.

O Ministério do Meio Ambiente disse que não comenta os dados de desmatamento da Amazônia divulgados pelo Imazon por não considerá-los oficiais.
Fonte: Com informações do Jornal Nacional
Publicado Por: Daniel Silva